A morte do Lito Sousa e o luto que sentimos por quem não conhecíamos pessoalmente
Publicado a

No início de outubro de 2026, Lito Sousa, criador do canal “Aviões e Músicas”, morreu aos 59 anos, vítima da Doença de Creutzfeldt-Jakob — uma doença neurodegenerativa rara, para a qual ainda não existe cura. A notícia chegou a muita gente que nunca o conheceu pessoalmente, e ainda assim sentiu um nó na garganta ao lê-la. Se isso te aconteceu, este artigo é para ti.
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição neurológica rara, causada por uma alteração anormal numa proteína do cérebro, que provoca uma deterioração rápida e progressiva das capacidades cognitivas e motoras. É uma doença pouco frequente, sem tratamento curativo disponível, e que costuma evoluir num espaço de tempo muito curto — o que ajuda a explicar porque é que a situação de Lito Sousa se agravou de forma tão acentuada.
Porque dói tanto perder alguém que nunca conhecemos pessoalmente
Há quem sinta que não tem “direito” a estar triste por alguém que nunca cruzou, de facto, o seu caminho. Mas quem segue um criador de conteúdo ao longo de anos — a ouvir a mesma voz, a reconhecer as mesmas expressões, a acompanhar partes da vida dessa pessoa — constrói, sem dar por isso, uma ligação real. Não é a mesma ligação de uma amizade presencial, mas também não é nada. É uma relação construída à distância, semana após semana, vídeo após vídeo. Quando essa pessoa morre, a ausência é sentida de forma genuína — mesmo que pareça, à primeira vista, desproporcional a quem está de fora.
Este luto tem nome, e é real
Este tipo de luto tem, inclusivamente, um nome: luto parassocial — o luto por alguém com quem se tinha uma relação parassocial, ou seja, uma relação unilateral, construída através de ecrãs, mas vivida de forma muito real por quem a sentia. Não precisa de validação externa para ser legítimo. A tristeza que sentes não é exagero, nem encenação. É luto, tal como qualquer outro.
Não precisas de validação de ninguém para o sentir
Se alguém te disser “mas tu nem o conhecias”, não precisas de te explicar, nem de pequenizar o que sentes. Perder alguém que acompanhavas, que fazia parte da tua rotina de alguma forma, dói — e essa dor não se mede pela proximidade física, mede-se pelo vínculo real que existia, à distância que fosse.
Hoje fica apenas isto: se sentiste esta tristeza, ela é válida. Não precisa de explicação, nem de ser comparada a nenhuma outra perda.
Leituras relacionadas: 5 sinais de que não estás apenas a recordar — estás a reviver a dor da perda · A pergunta que talvez ainda não te tenhas feito: sentes que uma parte de ti ficou presa naquele momento?
Para continuares a explorar

Antes de reconstruíres a tua vida, talvez precises de outra coisa primeiro
Ler mais
Porque continuamos a evitar certos lugares, datas e conversas, mesmo anos depois?
Ler mais
O tempo passa — mas será que isso basta para que a dor se transforme sozinha?
Ler mais
Há fotografias que ainda evitas ver? O que isso pode estar a dizer sobre ti
Ler mais
A pergunta que talvez ainda não te tenhas feito: sentes que uma parte de ti ficou presa naquele momento?
Ler mais
Porque é que uma memória boa pode acabar sempre em tristeza?
Ler mais
5 sinais de que não estás apenas a recordar — estás a reviver a dor da perda
Ler mais
Sentes culpa quando voltas a sorrir? Isto acontece com muito mais gente do que imaginas
Ler mais